Gasolina custa R$ 6,53, mas apenas R$ 1,78 correspondem ao combustível na refinaria
Levantamento mostra que impostos, etanol e custos da cadeia de distribuição representam a maior parte do valor pago pelos motoristas nos postos brasileiros.

Ao abastecer o veículo e pagar mais de R$ 6 pelo litro da gasolina, muitos consumidores acreditam que a maior parte desse valor corresponde ao combustível produzido nas refinarias. Porém, os números mostram uma realidade diferente.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Petrobras, considerando a média nacional registrada entre os dias 23 e 29 de agosto, apenas R$ 1,78 do preço final de R$ 6,53 correspondem à chamada gasolina A, combustível que sai da refinaria antes da adição de etanol.
O restante do valor é composto por impostos, mistura obrigatória de etanol anidro e custos relacionados à distribuição e comercialização do produto.
Entenda o que compõe o preço da gasolina
A formação do preço do combustível envolve diferentes etapas até chegar às bombas dos postos.
Do valor médio de R$ 6,53 por litro: R$ 1,78 correspondem à gasolina produzida na refinaria; R$ 0,83 referem-se ao etanol anidro misturado obrigatoriamente ao combustível; R$ 2,24 são destinados ao pagamento de tributos; R$ 1,68 representam custos e margens de distribuição e revenda.
Os impostos aparecem como a maior parcela da composição do preço. Somente o ICMS responde por cerca de R$ 1,57 por litro, enquanto os tributos federais representam aproximadamente R$ 0,67 no valor final pago pelo consumidor.
Na prática, cerca de um terço do preço da gasolina é destinado à arrecadação tributária. Em um abastecimento de 50 litros, isso pode representar mais de R$ 110 em impostos.
Diferença de preços entre estados não depende apenas dos tributos
Desde a aprovação da Lei Complementar 192, em 2022, o ICMS sobre a gasolina passou a ser cobrado por um valor fixo por litro em todo o país, deixando de variar conforme o preço do combustível em cada estado.
Com isso, diferenças encontradas entre os preços praticados nas diversas regiões brasileiras são influenciadas principalmente por fatores como logística, custos de transporte, concorrência local e margens comerciais.
Enquanto alguns estados registram valores próximos de R$ 6 por litro, outros ultrapassam facilmente os R$ 7, mesmo com a mesma alíquota de ICMS aplicada nacionalmente.
No Espírito Santo, por exemplo, levantamentos recentes indicaram preços acima da média nacional.
Mistura de etanol chega a 32% na gasolina comum
Outra mudança que influencia a composição do combustível é o aumento da participação do etanol anidro na gasolina comum.
Desde 1º de agosto, a mistura obrigatória passou de 30% para 32% de etanol, conforme determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida tem validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada.
Na gasolina premium, o percentual continua em 25%.
Testes realizados por instituições especializadas apontaram que a alteração não provoca mudanças significativas no funcionamento de carros e motocicletas. Apesar disso, o etanol possui menor densidade energética em comparação à gasolina, o que pode gerar pequenas variações no rendimento do combustível.

Subsídio federal ajuda a conter o preço nas bombas
Outro fator importante na composição atual dos preços é uma medida adotada pelo governo federal para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo.
Desde maio, produtores e importadores recebem um incentivo equivalente a R$ 0,44 por litro de gasolina, mecanismo criado para amenizar o aumento dos combustíveis diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A medida provisória que garante esse benefício termina nesta quarta-feira (9). Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, o governo estuda substituir o subsídio por uma redução de tributos federais, mantendo algum nível de compensação para evitar reajustes mais elevados ao consumidor.
Caso não houvesse qualquer mecanismo de compensação, o valor da gasolina poderia ser ainda maior nos postos.
Quando o etanol vale mais a pena?
Para os proprietários de veículos flex, a regra prática continua a mesma.
Especialistas recomendam optar pelo etanol quando seu preço estiver abaixo de 70% do valor da gasolina. Considerando a média nacional de R$ 6,53 por litro da gasolina, o etanol se torna economicamente vantajoso quando custa até aproximadamente R$ 4,57 por litro.
Acima desse patamar, a gasolina tende a oferecer melhor relação entre custo e autonomia.
Preço final depende de vários fatores
Embora a refinaria seja frequentemente apontada como principal responsável pelos preços dos combustíveis, os dados mostram que o valor pago pelo consumidor é resultado da soma de diversos componentes.
Tributos, mistura obrigatória de etanol, logística, distribuição, revenda e políticas econômicas adotadas pelo governo exercem influência direta sobre o preço final encontrado nas bombas.
Por isso, entender a composição do combustível ajuda a explicar por que apenas uma pequena parcela do valor pago corresponde efetivamente à gasolina produzida nas refinarias.
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