Tempestade geomagnética se aproxima da Terra após explosão no Sol
Fenômeno provocado por uma ejeção de massa coronal pode causar alterações em satélites, comunicações por rádio e outros sistemas tecnológicos.

Uma intensa atividade registrada no Sol está sendo monitorada por especialistas devido à possibilidade de provocar uma tempestade geomagnética na Terra nos próximos dias.
O fenômeno teve origem em uma explosão solar ocorrida em 25 de agosto, que foi acompanhada por uma ejeção de massa coronal (EMC). Nesse tipo de evento, uma enorme quantidade de plasma e partículas carregadas é lançada da atmosfera solar e pode viajar pelo espaço em direção ao nosso planeta.
De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a previsão indica inicialmente uma tempestade de categoria G1, considerada fraca. Dependendo da evolução das condições, porém, o evento pode chegar ao nível G2, classificado como moderado.
A escala de tempestades geomagnéticas vai de G1 a G5, sendo G5 o nível reservado para os eventos mais extremos.
Explosão solar foi classificada como M6.9
A erupção responsável pela ejeção de material foi classificada como M6.9. A letra indica a classe da explosão, enquanto o número representa sua intensidade dentro daquela categoria.
As explosões solares são divididas em classes A, B, C, M e X. As categorias A e B correspondem aos eventos de menor intensidade. A classe C representa explosões mais fortes, enquanto a M reúne eventos considerados significativos.
No topo da escala está a classe X, formada pelas explosões mais potentes e que possuem maior potencial de provocar impactos em sistemas tecnológicos e no ambiente espacial.
Assim, embora uma explosão M6.9 não esteja na categoria máxima, trata-se de uma atividade solar relevante, especialmente quando acompanhada por uma ejeção de massa coronal direcionada à Terra.
Satélites e sistemas de comunicação podem sentir os efeitos
Os possíveis impactos de uma tempestade geomagnética dependem da intensidade e da duração do fenômeno.
Entre os sistemas que podem ser afetados estão os satélites, comunicações por rádio e redes elétricas. Em determinados casos, podem ocorrer oscilações em redes de energia e alterações nas transmissões de rádio, principalmente durante períodos de maior atividade geomagnética.
Satélites em órbitas mais baixas também merecem atenção. O aumento da atividade nas camadas superiores da atmosfera pode provocar seu aquecimento e aumentar o chamado arrasto atmosférico, modificando a trajetória desses equipamentos.
Dependendo da intensidade do evento, operadores podem precisar realizar ajustes para manter os satélites em suas órbitas previstas.
Auroras podem aparecer em locais diferentes
Nem todos os efeitos de uma tempestade solar são negativos.
Quando partículas provenientes do Sol interagem com o campo magnético da Terra e com a atmosfera, podem surgir as auroras polares, fenômenos luminosos que normalmente são observados em regiões próximas aos polos.
Durante períodos de atividade geomagnética mais intensa, essas luzes podem ser vistas em áreas mais afastadas dos polos do que o habitual.
A possibilidade de observar uma aurora, entretanto, depende da intensidade da tempestade e das condições de visibilidade no local.
Astronautas ficam mais expostos à radiação
A atividade solar também é acompanhada de perto pelas equipes que trabalham com missões espaciais.
Isso acontece porque partículas energéticas liberadas pelo Sol podem aumentar os níveis de radiação no ambiente espacial. Astronautas fora da proteção proporcionada pela atmosfera terrestre ficam mais expostos a esse tipo de radiação.
Durante eventos mais intensos, procedimentos especiais podem ser adotados para reduzir os riscos às tripulações.
Para quem está na superfície da Terra, a situação é diferente. O campo magnético terrestre e a atmosfera funcionam como uma proteção natural, bloqueando grande parte das partículas e da radiação provenientes do Sol.
O que provoca uma tempestade geomagnética?
A atividade do Sol não é constante. A estrela passa por ciclos que duram aproximadamente 11 anos, alternando períodos de maior e menor atividade.
Nas fases mais ativas, é comum ocorrer um aumento na quantidade de manchas solares, explosões e ejeções de massa coronal.
Quando uma dessas ejeções lança partículas carregadas na direção da Terra, elas podem alcançar o planeta após atravessar o espaço. Ao interagirem com o campo magnético terrestre, provocam perturbações que recebem o nome de tempestades geomagnéticas.
A intensidade do fenômeno não depende apenas da quantidade de material liberado. A velocidade da ejeção e a orientação do campo magnético carregado por ela também são fatores importantes para determinar o impacto da tempestade.
Entenda a classificação
A intensidade das explosões solares é indicada pelas classes: A e B: eventos de menor intensidade; C: explosões de intensidade relativamente baixa; M: eventos mais fortes e significativos; X: explosões mais intensas da escala.
Já as tempestades geomagnéticas são classificadas de G1 a G5: G1: menor intensidade; G2: moderada; G3: forte; G4: severa; G5: extrema.
No caso previsto para este evento, a expectativa inicial é de G1, com possibilidade de evolução para G2.
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